A gente luta contra aquilo em cada interminável segundo do dia, da semana, do mês, do ano. Sem descanso para fins de semana ou feriados. Acho que o coração não tem noção de tempo, não nos da trégua, faz questão de chafurdar numa dor que pode acabar com a gente aos poucos. E aí você fica assim, insone, noites e noites a fio. Atravessa ruas e dias à procura de uma possível luz, e levando na vida aquela dorzinha que, vez em vez, teima em latejar, só pra mostrar que ainda inunda por completo o coração.
Um dia você acorda e bum! A dor sumiu... e você nem percebeu. A sensação que fica é de que falta alguma coisa, sempre. E você vai e enche o peito de ar e coragem e luta, agora, contra o vazio que existe por dentro. O eterno sentimento de desconforto e desamparo. Sem saber o que fazer com todo esse espaço, que era plenamente ocupado pelo amor imensurado que sentia por ele. Como aprender, então, a conviver com a falta do que havia de mais bonito por dentro? Não sei, não sabemos! A gente vai levando e se perguntando se foi para isso que serviu tanto esforço e tantas renúncias: para não dar em nada.
E agora é sempre assim: chuva e sol, frio e calor, noite e dia, e nenhuma lembrança dele, do que era a parte mais significante dos dias. E a certeza de que os nossos caminhos desvencilharam completamente e não se cruzarão outra vez.
Apagar alguém da nossa vida é bem difícil, mas não ter nada por dentro pode ser ainda pior.
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